12/01/2021 às 16h36min - Atualizada em 12/01/2021 às 16h36min

LEMBRA DO REMÉDIO CONTRA O CORONAVÍRUS DO BOLSONARO?

É MELHOR ESQUECER...

 
Bolsonaro vivia insistindo que o coronavírus era um verme qualquer que se curava com um bom vermífugo. Chegou a convencer o ministro da Saúde, general Pazuello, sobre essa “verdade absoluta”. Em outubro, com uma solenidade no Palácio do Planalto, o governo federal afirmou ter comprovado que o vermífugo nitazoxanida reduziria a carga viral de pacientes infectados com o novo coronavírus nos primeiros dias de sintomas. O anúncio foi feito com a presença de Bolsonaro, presidente, e de Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações.
Os testes em humanos foram anunciados por Marcos Pontes em abril, após pesquisas em laboratório. Na época, ele afirmou que os resultados seriam apresentados em quatro semanas e especialistas questionaram a taxa de eficácia apresentada por Pontes com base em estudos preliminares na fase in vitro. Pontes admitiu que sua previsão inicial foi otimista demais.
 
Agora, o Ministério da Saúde informou à Câmara dos Deputados que decidiu não incorporar a nitazoxanida, conhecido comercialmente como vermífugo Annita,  para o tratamento da Covid-19 na rede pública de saúde. O medicamento, anunciado anteriormente como eficaz pelo governo, não consta no rol para compras e distribuição pelo SUS.

Em texto enviado pelo ministério em resposta a um pedido de informações da bancada do PSOL, foi dito que a “Nitazoxanida não consta nas orientações deste Ministério da Saúde para o tratamento da Covid-19, e também não se encontra incluída na Relação Nacional de Medicamentos – RENAME 2020, de forma que esse medicamento não é adquirido ou financiado com recursos federais do SUS”.
 
Os pesquisadores que realizaram o teste clínico no Brasil do vermífugo nitazoxanida para tratamento contra a Covid-19 publicaram um artigo afirmando que o medicamento se mostrou clinicamente ineficaz e não superou placebo na melhora de sintomas de pacientes. O único efeito positivo verificado pelos pesquisadores é um desfecho secundário, o do vírus nos pacientes em medida feita no quinto dia de tratamento. A posição secundária atribuída a esse critério significa que o estudo não foi desenhado para avaliar carga viral.
 
'IRRESPONSABILIDADE'
O pedido de informações encaminhado ao Ministério da Saúde, assinado pela deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), questionava quais os planos do governo para uso do medicamento na rede pública de saúde e a previsão de compra do remédio.
"Este Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF/SCTIE) e Insumos Estratégicos informa que até o momento, não tem ciência de nenhum processo para aquisição de Nitazoxanida pelo Ministério da Saúde, ou de planos para sua disponibilização na rede pública de saúde", diz o texto  encaminhado à Câmara.

Para a deputada Sâmia Bomfim, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o próprio presidente incentivaram o uso do medicamento "demonstrando irresponsabilidade e desinformação".
— O Ministério da Ciência e Tecnologia investiu milhões num estudo sobre a nitazoxanida, mesmo que a comunidade científica internacional já tivesse negado sua eficácia. Insistiram no estímulo ao uso, também através das redes sociais do próprio presidente da República — disse Sâmia.

A SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) não recomenda tratamento precoce de Covid-19 com nenhum medicamento,  incluindo a  nitazoxanida. A entidade sustenta que a orientação está alinhada com sociedades científicas e médicas internacionais, tais como o Instituto Nacional de Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
 
Ou seja, o absurdo governo Bolsonaro acaba de descobrir a pólvora: a nitazoxanida continua sendo vermífugo. E verme é o que não falta...
 
Leia também no Brasil247 e no Globo.
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