19/12/2019 às 12h45min - Atualizada em 19/12/2019 às 12h45min

EX-ASSESSORA DE FLÁVIO BOLSONARO EXPÕE ESQUEMA

GABINETE DO DEPUTADO, CENTRAL DA RACHADINHA

Danielle Mendonça, ex-mulher de Adriano Nóbrega e ex-assessora no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro, diz em conversas estar ‘incomodada’ com origem de dinheiro e é orientada, por Queiroz, a faltar a depoimento. Esses diálogos gravados teriam ajudado a justificar a operação dessa quarta-feira, 18. Estavam no celular de Danielle Mendonça, apreendido durante a operação os Intocáveis, que investigou a atuação de milicianos na Zona Oeste do Rio.

Além de ex-assessora do gabinete de Flávio Bolsonaro, Danielle é ex-mulher de Adriano Nóbrega, acusado de pertencer ao grupo de extermínio Escritório do Crime, e foragido desde o ano passado. Numa das mensagens, Fabrício Queiroz envia para Danielle o contracheque dela, para que fizesse seu imposto de renda. Seria indício, para o MP (Ministério Público), de que ela nem comparecia ao gabinete.
 
Em outra mensagem, ela diz a uma amiga que há muito tempo estava “incomodada com a origem desse dinheiro”. No mesmo mês (janeiro de 2018), Danielle conversou por mensagem com outra amiga , que confirmou a ilicitude dos pagamentos que recebia. A amiga, identificada apenas como “Paty”, lembra a Danielle que foi o marido que havia conseguido uma nomeação como funcionária fantasma e, por isso, ela poderia “ter se enrolado” com a Justiça.

As mensagens de Danielle mostraram ainda conversas entre a ex-assessora e Queiroz falando sobre a intenção de continuar com o esquema ilícito em 2019. Mas, com a publicação da reportagem sobre as movimentações atípicas detectadas pelo COAF, Danielle é exonerada, em janeiro. Na conversa, Queiroz adverte a ex-assessora: “Tá havendo problemas. Cuidado com que vai falar no celular”.
 
O último contato de Queiroz com Danielle por WhatsApp foi no dia 16 de janeiro. De acordo com o MP, apesar de algumas mensagens terem sido apagadas, dá para perceber que Queiroz pergunta se a ex-assessora foi chamada a depor pelo Ministério Público e orienta a faltar o depoimento.

“Chamaram sim”, escreveu Daniella, que, logo em seguida, responde a outra pergunta apagada por Queiroz: “Um policial veio aqui na quinta-feira passada. Amanhã será o dia do depoimento”.

Queiroz manda mais algumas mensagens que foram apagadas. A ex-assessora responde, dando a entender que falou com advogados:
“Eu já fui orientada. Ontem eu fui encontrar os amigos”.
 
Pelos diálogos, Queiroz teria receio de que a imprensa descobrisse que Danielle era funcionária fantasma no gabinete de Flávio. "Não querem correr em (sic) risco, tendo em vista que estão concorrendo e a visibilidade que estão", escreveu ele a Danielle.

A ex-mulher de Adriano pergunta a Queiroz se ele acha que "vai pegar alguma coisa". Ele escreve: "Estão fazendo um pente fino nos funcionários e a família dele". E completa: "saiu uma matéria já no Globo de domingo".

Danielle também troca mensagens com o ex-marido, e o MP aponta que os diálogos demonstram que o acusado de integrar o Escritório do Crime também ficava com dinheiro do gabinete.
"Contava com o que vinha do seu tmbm (sic)", escreveu Adriano – o que os promotores consideram referência ao salário do gabinete da assembleia legislativa.

Globo
 
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