08/10/2019 às 06h10min - Atualizada em 08/10/2019 às 06h10min

AS ALEMÃS COMUNISTAS GOZAVAM MAIS DO QUE AS CAPITALISTAS

ESTUDO NA UNIVERSIDADE DA PENSILVÂNIA COMPROVA

 
Na Alemanha Ocidental, capitalista, os papéis de gênero tradicionais e o modelo do casamento monogâmico burguês em que o homem sustenta a família, e a mulher é dona de casa.
Na Alemanha Oriental, o objetivo da emancipação das mulheres, combinado com a escassez de mão de obra, levou a uma incorporação maciça delas à população ativa. O Estado promoveu ativamente a igualdade de gênero e a independência econômica das mulheres como características distintivas do socialismo, num esforço de demonstrar sua superioridade moral acima do Ocidente democrático e capitalista.

Já no começo da década de 1950, as publicações estatais estimulavam os homens alemães a participarem do trabalho doméstico, compartilhando o ônus do cuidado da prole de forma mais equitativa com suas esposas, caso estas também trabalhassem em jornada completa. Criou-se uma situação em que as mulheres já não dependiam mais dos homens, e isto lhes proporcionava uma sensação de autonomia, o que resultava num comportamento masculino mais generoso na cama.

Na Alemanha Ocidental, se as namoradas e esposas se sentiam insatisfeitas com o desempenho sexual de seus parceiros masculinos, elas não tinham muitas opções, pois, como dependiam economicamente deles, o máximo que podiam fazer era tentar convencê-los a que fossem mais atentos às suas necessidades. Na Alemanha comunista, os homens que desejavam manter relações com mulheres não podiam comprar o acesso a elas com dinheiro, por isso tinham incentivos para melhorar seu comportamento.

Já em 1984, pesquisas de Kurt Starke e Walter Friedrich mostravam que a juventude alemã-oriental (tanto os homens como as mulheres) estava muito satisfeita com sua vida sexual: dois terços das jovens diziam chegar ao orgasmo “quase sempre”, e 18% “com frequência”. Starke e Friedrich afirmavam que estes níveis de satisfação pessoal na cama eram resultado da vida socialista: “A sensação de segurança social, o equilíbrio quanto a responsabilidades educativas e profissionais, a igualdade de direitos e de possibilidades na hora de participar da vida social e determinar seu curso (…)”.
 
Numa pesquisa de práticas sexuais femininas realizada pelo Gewis-Institut de Hamburgo para o Neue Revue, 80% das alemãs-orientais responderam que sempre chegavam ao orgasmo, em comparação a 63% das ocidentais.
 
A pesquisa faz parte do livro “Mujeres Disfrutan Más del Sexo Bajo el Socialismo”, edição espanhola, lançada neste 7 de outubro.
A autora é Kristen Ghodsee, etnógrafa, professora de Estudos da Rússia e Leste Europeu na Universidade da Pensilvânia (EUA) e autora de vários livros.

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