18/09/2019 às 16h10min - Atualizada em 18/09/2019 às 16h10min

O TERROR QUE VEM DO CÉU NAS FAVELAS DO RIO

RASANTES DOS HELICÓPTEROS ACORDARAM OS MORADORES.


Os pedidos de socorro dos moradores do Complexo do Alemão e do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, invadiram as redes sociais, na manhã dessa quarta-feira. Eles foram acordados pelos voos rasantes dos helicópteros blindados do governo do Rio de Janeiro que participavam de operações contra o tráfico de drogas. Os moradores do Alemão publicaram vídeos de policiais militares atirando em direção às favelas. A disparada de tiros aconteceu na mesma hora que a população sai  para trabalhar e os estudantes estão indo para a escola. Mais uma vez, as aulas foram suspensas e as creches também não abriram. Os postos de saúde também ficaram com as portas fechadas. Denúncias de invasões às casas foram feitas através do site Voz das Comunidades que divulga notícias sobre as favelas do Rio. “Bom dia! Os policiais entraram na casa da minha mãe com um mlk (moleque), batendo nele, asfixiando. Expulsaram todos lá da casa e tão lá na casa da minha mãe. Um absurdo. Isso meu irmão e tia que estava(m) na casa, estão no vizinho pq eles não deixam entrar na própria casa”, denunciou um morador que pediu para não ser identificado. No complexo do Alemão moram 70 mil pessoas. Na operação de hoje da PM, cinco pessoas morreram e um policial ficou ferido. 
No Complexo da Maré, que fica entre a avenida Brasil e a Linha Vermelha, também foi uma manhã de muito medo provocado por uma operação da Polícia Civil. Mesmo o Tribunal de Justiça do Rio ter reativado uma liminar que determina regras para operações policiais na região, os helicópteros e rajadas de tiros voltaram a aterrorizar os moradores. Fotos e áudios com crianças contando a barbárie da operação foram divulgadas na internet. No mês passado, depois que o TJ recebeu 1500 desenhos das crianças da Maré pedindo socorro contra a violência, o desembargador Jessé Torres, da 2ª Câmara Cível, determinou protocolos que a polícia devia seguir nessas operações. A ordem vai de evitar entrar nas favelas nos horários de entrada e saídas das escolas, passa por obrigatoriedade de ter ambulância durante as operações, advogados e defensores públicos. Os carros da polícia devem ter GPS e câmeras. A pergunta é: a polícia desrespeitou a ordem da Justiça?
A reação na internet mostrou a gravidade da situação nas favelas cariocas. O ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, denunciou no Twitter. “Helicópteros do governo do estado do Rio de Janeiro abrem fogo contra os moradores do Complexo do Alemão em mais uma escalada da política de extermínio do governador. Witzel e Bolsonaro disputam o título de maior psicopata. Por enquanto, não há favorito”, concluiu o advogado. Guilherme Boulos, do PSOL, afirmou. “881 pessoas já foram mortas por policiais nos 6 primeiros meses do ano no RJ. Não é “guerra ao crime”: é política de extermínio comandada por Witzel”. 



Imagem retirada twitter #marevive
De Brasília, a deputada federal do PCdoB Jandira Feghali denunciou o drama das crianças da Maré sob intensa disparada de tiros. A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Renata Souza, também lamentou a situação na favela. “Se isso não lhe causa indignação, é porque perdeu a sua humanidade para a barbárie”. A deputada Renata Souza, PSOL-RJ, já foi até ameaçada de perder o mandato porque denunciou o governador Wilson Witzel à OEA e à ONU por violações aos direitos humanos. Partidários do governador que apoiam a política de Witzel de “atirar na cabecinha” chegaram a pedir abertura de processo alegando falta de decoro parlamentar. Felizmente, nem todos os deputados pensam da mesma maneira que a turma do governador e o pedido foi rejeitado. Enquanto isso, moradores das áreas mais pobres do estado sofrem com a violência dos criminosos e a policial. Até quando?



                                                                                                                                                             
 
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