04/09/2019 às 13h35min - Atualizada em 04/09/2019 às 13h35min

BOLSONARO ATACA PAI DE BACHELET

QUE MORREU SOB A DITADURA DE PINOCHET


Enquanto a Alta Comissária da ONU para direitos humanos e ex presidenta do Chile, Michelle Bachelet, apontava redução da democracia e aumento das mortes feitas por policiais no Brasil, 
Bolsonaro atacava o seu pai, Alberto Bachelet, que foi morto pela ditadura militar de Augusto Pinochet.
Tudo porque Bachelet disse, em entrevista, que o Brasil sofre uma "redução do espaço democrático", especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. Ou seja, disse a verdade.

"Michelle Bachelet, seguindo a linha de Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares", escreveu Bolsonaro em uma rede social.
"Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época", prosseguiu Bolsonaro, que publicou também uma foto de Bachelet, quando presidente, ao lado das ex-presidentes Dilma Rousseff (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina).

Bolsonaro está certo. Ele assume uma posição tipicamente fascista, posicionando-se lado a lado com o ditador chileno Augusto Pinochet, responsável pela ditadura sanguinária que tomou conta do Chile.

Alberto Bachelet, pai de Michelle, era general de brigada da Força Aérea e se opôs ao golpe militar dado por Pinochet em setembro de 1973. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu sob custódia, em fevereiro de 1974. Tinha 50 anos. 
A própria Michelle Bachelet, ex-presidenta, também foi presa e torturada por agentes de Pinochet em 1975. 

Na manhã desta quarta-feira, ao sair do Palácio da Alvorada para agenda em Anápolis (GO), Bolsonaro voltou a criticar Bachelet e a atacar seu pai. "Ela está acusando que eu não estou punindo policiais, que estão matando muita gente no Brasil. Essa é acusação dela. Ela está defendendo direitos humanos de vagabundos", afirmou.

"Senhora Michelle Bachelet, se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 1973, entre eles o teu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Eu acho que não preciso falar mais nada para ela. Quando tem gente que não tem o que fazer, vai lá para a cadeira de Direitos Humanos da ONU", acrescentou.

Bachelet fez a declaração sobre a redução da democracia no Brasil em uma entrevista coletiva em Genebra. "Nos últimos meses, observamos no Brasil uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil", disse.

Bachelet também apontou um aumento do número de pessoas mortas por policiais no Brasil, que afeta mais os negros e os moradores de favelas. E lamentou o "discurso público que legitima as execuções sumárias" e a persistência da impunidade. Questionou também a política do governo de facilitar o acesso a armas. Recordou que pelo menos oito defensores dos direitos humanos foram mortos no Brasil entre janeiro e junho, e que a maioria dessas mortes tiveram relação com disputas de propriedade, relacionadas à "exploração ilegal de recursos naturais, principalmente agrícolas, florestais e minerais". Para Bachelet, esta violência ocorre em todo o país e afeta especialmente as comunidades indígenas. "33% dos incêndios florestais ocorrem em áreas indígenas ou de proteção", apontou.

O jornal Clarín, da Argentina, publicou uma matéria repercutindo o crime de responsabilidade cometido por Bolsonaro, ao colocar-se contra os princípios democráticos. 

"O presidente Jair Bolsonaro acusou a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, de se intrometer nos assuntos internos e na soberania do Brasil na segunda-feira, justificou o golpe de estado de Augusto Pinochet e criticou o pai da ex-presidenta do Chile, que foi torturado e morto pelo regime estabelecido pelos militares chilenos em 1973", destaca a reportagem.

Bolsonaro fará discurso de abertura (tradição brasileira) da Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, em Nova York. Espera-se que ele esclareça as mortes por tortura.

O presidente do Senado chileno, Jaime Quintana, também reagiu às duras declarações de Jair Bolsonaro contra a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, a quem ele acusou de "se intrometer" nos "assuntos internos e na soberania" do país. Ele também se referiu ao pai de Michelle, general Alberto Bachelet, a quem descreveu como "comunista" e acrescentou que havia sido "derrotado" pelo "pessoal de Pinochet".
Jaime Quintana disse que as falas de Bolsonaro “deveriam causar uma rejeição vigorosa de todos os setores políticos do Chile. Há referências a questões de direitos humanos e nessa questão devemos ter uma única linha e o mesmo padrão, onde quer que sejam levados.”


Leia mais em: FolhaBrasil 247 e La Tercera

 
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