22/06/2021 às 08h00min - Atualizada em 22/06/2021 às 08h00min

​GLOBO X BOLSONARO

QUAIS SERÃO OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS?


Um confronto tipo arrasa quarteirão. De um lado, o principal grupo de comunicação do país; do outro lado, um presidente transtornado, encurralado pelos próprios desatinos.
Obviamente, a Globo, por natureza anti-PT/anti-Lula, farejou que era preciso mudar de ares. O que não foi difícil, já que Bolsonaro desde sempre se aliou aos grupos ferozmente adversários da Globo, como a Record, por exemplo.

Nos últimos dias, a Globo primeiro fez uma extensa cobertura das manifestações anti-Bolsonaro que tomaram conta do país no último sábado, 19. Além do próprio impacto das manifestações, a cobertura global certamente causou um choque nas estruturas do Planalto. E, naturalmente, estilhaçou a já fragilizada estrutura mental de Bolsonaro, um presidente ilhado na própria presidência. O caldo entornou de vez com as perguntas feitas por jornalista da TV Vanguarda (afiliada à Globo) em Guaratinguetá, SP, sobre o uso de máscara, coisa que Bolsonaro certamente acredita que só se usa em filme de bang-bang. Ele partiu imediatamente para um palavreado britânico, aperfeiçoado nas melhores famílias:
“Vocês são uma merda de Imprensa”
“Fazem jornalismo canalha”
“Vocês não prestam”
“A Rede Globo não presta”
“É um serviço porco que você faz na Rede Globo”

Mas se você acha que parou por aí, está redondamente enganado.   A Globo rebateu com firmeza a agressão de Bolsonaro à jornalista e exibiu o que certamente foi a primeira reportagem correta sobre Lula. Na noite dessa segunda-feira, 21, a Globo usou o seu Jornal Nacional para bater de volta, com firmeza, a agressão de Bolsonaro.
Em sua fala, Bonner afirmou que a imprensa no Brasil não deixará de cumprir seu trabalho por conta dos “gritos” e da “intolerância” de Bolsonaro. E Renata Vasconcellos disse que o chefe do Planalto, “descontrolado”, “insultou” a emissora.

Mas o bate boca não parou por aí. Em outra reportagem, o JN deu destaque às investigações da CPI da Covid sobre a compra da vacina indiana Covaxin pelo governo por valores mais altos que os oferecidos pela Pfizer no mesmo período. O Planalto teria pressionado servidores para acelerar o negócio.
“A CPI da Covid investiga uma decisão inusitada do governo Bolsonaro: retardar a compra da vacina Pfizer alegando preços muito altos, mas comprar o imunizante indiano mais caro e antes da aprovação da Anvisa”, foi o que destacou o Jorna Nacional logo na abertura. E logo depois apresentou reportagem de quase cinco minutos sobre a decisão que absolveu Lula na Operação Zelotes, no caso da MP do setor automotivo. Atenção: foi a primeira reportagem em muitos anos a Globo tratou Lula de maneira correta.
A edição do JN aconteceu dois dias depois de a Globo ter feito um duro editorial contra Bolsonaro por conta da trágica marca das 500 mil mortes desde o início da pandemia do coronavírus, no mesmo dia em que fez uma ampla cobertura sobre as manifestações da população em todo o Brasil que pediu vacinas, auxílio e troca do governo.

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