24/04/2021 às 07h53min - Atualizada em 24/04/2021 às 07h53min

LULA PARTE PARA O TERCEIRO MANDATO

PALAVRA DO GLOBO


Não é material de propaganda do PT, nem de aliados do PT nem de outro partido de esquerda. Nem é a primeira vez que, tendo seguido pelos caminhos da direita e até da extrema direita, “as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro”. Fez isso, por exemplo, quando publicou, em 31/08/2013: “Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: ‘A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura’. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura”.

Mas fica a pergunta: por que o Globo insiste em caminhar pela contramão do país? Não foi o único grande veículo de comunicação do país a tomar esse rumo, mas o Globo foi o que conseguiu o carimbo mais forte de penduricalho da direita.
E o interessante é ver que o Globo reconhece que o Supremo “reabilitou” Lula ao “dissolver” o seu ex-queridinho Sérgio Moro.

Ao confirmar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro depois de tê-lo considerado incompetente para julgar Lula, o Supremo Tribunal Federal reabilitou política e moralmente o ex-presidente autorizando-o a se candidatar e muito provavelmente se eleger outra vez em 2022. Não, não haverá tempo para que uma candidatura de centro ou centro-direita surja e cresça a ponto de superar Lula e conseguir vaga no segundo turno. Apenas João Dória pode surpreender. Luciano Huck ficou no espaço. Luiz Mandetta não se consolidou. Moro se dissolveu. E os demais pré-candidatos que apareceram neste espectro eram apenas balões que nem sequer ensaiaram uma alternativa.

Ou seja, de certa forma, o Globo diz que teria pelo menos 4 nomes que gostaria de apoiar, antes de reconhecer que o nome de Lula do PT é a alternativa ao fascismo de Bolsonaro.

A centro-esquerda e esquerda tinham Fernando Haddad e Ciro Gomes. Haddad é Lula. Ciro não deve ser páreo para um Lula que volta revigorado pelo STF. À direita o candidato será mesmo Bolsonaro? Talvez sim. Talvez não. A direita liberal pode encontrar em Lula argumentos para fugir do capitão que muito prometeu em 2018 e pouco entregou. As reformas neste governo não avançaram. Mesmo a reforma da Previdência, aprovada em 2019, foi muito mais mérito de Rodrigo Maia e da Câmara do que de Bolsonaro e do Palácio. Além disso, as constantes ameaças às instituições atrapalham o capitão muito mais do que o ajudam.

O presidente ficará com a extrema-direita, isso com certeza. Neste espaço, só resta ele. Trata-se de uma área tão árida do campo que somente olavistas convictos e puxa-sacos rematados conseguem por ela transitar à vontade. Com eles seguirá parte do eleitorado que se enrola em bandeiras do Brasil e pede o fechamento do Congresso, do Supremo. São minoria, mais velhos e saudosistas ou mais ignorantes e menos informados. Serão acompanhados também pelos que ainda olham para Lula e para o PT e só enxergam corrupção. São muitos, mas as pesquisas revelam que a maioria já percebeu que a alternativa é pior.

O cenário não deixa muita dúvida. O desgaste de Bolsonaro, que deve seguir e ser ainda ampliado pela CPI da Covid, o debilitará política e eleitoralmente, mas dificilmente a ponto de tirá-lo do segundo turno. Esta talvez seja a única forma de Lula não conquistar um terceiro mandato. Se houver um segundo turno entre ele e qualquer outro candidato que não seja o capitão, suas chances de vencer diminuem muito. Como é pouco provável que isso ocorra, Lula e Bolsonaro deverão ir para o segundo turno. E aí, antes de dizer com quem vai o eleitor, é importante observar como se guiarão as forças políticas, os partidos e seus líderes.

Ok, Globo. O país aceita o seu pedido de perdão. Pode participar (ou, se preferir, apenas assistir) dessa grande caminhada vitoriosa. Mas é bom correr, senão mais uma vez perderá o bonde da história.


Texto completo do Globo aqui.
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