11/06/2019 às 15h40min - Atualizada em 11/06/2019 às 15h40min

STF A CAMINHO DE LULA LIVRE


As denúncias divulgadas, desde domingo, pelo site The Intercept sobre os diálogos entre os integrantes da Força Tarefa da Lava Jato e o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro já provocaram reações no Supremo Tribunal Federal. O ministro Ricardo Lewandwski aceitou, nessa terça-feira, um pedido de habeas corpus da defesa do ex-presidente Lula e votou por decretar a nulidade de todas as penas aplicadas pelo TRF-4. O ministro considera que casos como o de Lula e de outros condenados no tribunal devem revistos. Para Lewandowski, a súmula do TRF-4 que determina a prisão de condenados em segunda instância automática é ilegal. Os ministros da Segunda Turma do STF entenderam que a decisão deve ir ao plenário, que ainda não tem prazo para o julgamento.
O ministro Gilmar Mendes disse também, nessa terça-feira, que as reportagens do Intercept  terem sido obtidas de forma ilegal "não necessariamente" anula provas que venham a ser produzidas a partir delas. O jornalista Gleen Greewald já reafirmou que o material foi enviado por uma fonte e não tem nada a ver com os supostos ataques de hackers aos celulares dos procuradores da Lava Jato.
O ministro Marco Aurélio Mello ressaltou a gravidade das revelações feitas pelo Intercept sobre as conversas entre a Força Tarefa da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro. "Não é possível admitir uma combinação de atos entre Ministério Público e juiz, por melhor que seja o objetivo".
Pela manhã, em Curitiba, as denúncias do Intercept foram o principal assunto do encontro com o ex-presidente Lula e seus advogados.
"A verdade fica doente, mas não morre", disse o ex-presidente que se mostrou com a "rapidez que a verdade veio à tona". O ex-presidente também se surpreendeu com a "promiscuidade" dos integrantes da Lava Jato com o ex-juiz.
O ex-presidente sempre reafirmou a determinação para provar a sua inocência e luta nos tribunais para ter um julgamento independente e sem imparcialidades, o que não teria acontecido com o ex-juiz Sergio Moro.
O advogado José Roberto Batochio também estranhou as alegações de Moro sobre ser "normal" encontro de juízes, promotores e advogados. "Eu nunca fui recebido por ele, apesar de ter tentado", afirmou o advogado. E lembrou que a Constituição é clara: "Nenhum julgamento é válido se o juiz não for imparcial".
Cristiano Zanin, também presente ao encontro, disse que a defesa está analisando os trechos já divulgados pelo site, mas adiantou que "já existe material para levar fatos novos para o Judiciário". "Também estamos aguardando que o Supremo julgue os habeas corpus já existentes pela total falta de imparcialidade e independência com o Lula", concluiu o advogado.
Enquanto as revelações do Intercept repercutem cada vez mais no Judiciário, no Congresso, na população e na comunidade internacional, a defesa do ex-presidente Lula se prepara para enviar para a Comissão de Direitos Humanos da ONU mais provas de que o julgamento não foi imparcial e independente. O ex-presidente recorreu à ONU em 2016, logo no início do processo.
 
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »