25/03/2021 às 16h03min - Atualizada em 25/03/2021 às 16h03min

​25 DE MARÇO DE 2021.

FALTA 1 ANO PARA O PCB FAZER 100 ANOS.



Para marcar essa data, Val Carvalho enviou esse texto:
 
QUASE UM SÉCULO DA FUNDAÇÃO DO PCB
 
Há 99 anos, no dia 25 de março de 1922, na cidade de Niterói, o PCB foi fundado por 9 representantes dos trabalhadores comunistas. Nessa época a base comunista era pequena porque, influenciada pela Revolução Russa de 1917, tinha rompido com o movimento anarco-sindicalista.
Como todos os partidos comunistas que se formam no mundo, também o nosso se ligou à Terceira Internacional Comunista, com sede em Moscou.
Na década de 20 despontava no partido a liderança de Astrogildo Pereira, um jornalista de formação marxista.
Mas já na primeira metade dos anos 30 ao PCB se juntou a maior liderança popular do país, Luís Carlos Prestes, visto por muitos como o heroico “Cavaleiro da Esperança”.
Com isso a composição social do PCB, que já contava com operários e intelectuais, foi ampliada com o forte segmento de militares comunistas que acompanhou Prestes.
A partir de então a principal liderança do PCB passou a ser Prestes, um nome de grande prestígio internacional.
O PCB e Prestes passaram pela terrível prova da ditadura do Estado Novo que chegou até a entregar a comunista alemã e companheira de Prestas para a Alemanha Nazista, com a vergonhosa aprovação do STF de então.
Finda a ditadura em 1945, o PCB ressurge como o maior partido de massas da América Latina e Prestes o líder muito querido dos trabalhadores, eleito senador e deputados por vários estados (a legislação permitia).
Isso foi o suficiente para o governo Dutra, em plena Guerra Fria e a mando de Washington, cassar os mandatos do senador Prestes e dos 14 deputados federais do partido, dentre os quais Marighela, Gregório Bezerra, Jorge Amado, João Amazonas e Maurício Grabois (estes dois últimas mais tarde fundaram o PCdoB).
Sob o pretexto que o PCB não era um partido brasileiro mas uma seção da Internacional Comunista, o TSE da guerra fria também cassou o registro do partido.
No último ano do governo JK, em 1960, já gozando de uma semilegalidade, o PCB e Prestes solicitaram sua nova legalização e para tanto resolveram modificar o nome de Partido Comunista do Brasil, para Partido Comunista Brasileiro.
Contudo, uma parte do PCB, acompanhando a China de Mao, não aceitava o combate ao culto da personalidade de Stálin iniciado publicamente pelo novo Secretário-geral do PCUS, Nikita Khrushchov, no XX Congresso desse partido, realizado em 1956, três anos depois da morte de Stálin.
Em 1960, no 5º Congresso do PCB, quando a ampla maioria junto com Prestes mudou o nome do partido, uma minoria de comunistas, liderada por João Amazonas e Maurício Grabois, rompeu com o partido e reivindicou para si o antigo nome, ao qual passou a destacar a preposição como sinal distintivo: PCdoB.
A vitória do direitista Jânio em 1961, o golpe do parlamentarismo contra a posse plena de Goulart como presidente e o golpe militar de 64 acabaram impedindo a legalização do PCB e jogando-o de novo na mais profunda clandestinidade.
Mesmo assim, em dezembro de 1967, o PCB fez o seu 6º Congresso e aprovou a defesa da ampla unidade democrática, baseada no movimento de massas e na construção do partido nas grandes empresas, como linha política para derrotar a ditadura.
Várias lideranças do PCB, como Marighela, Apolônio de Carvalho, Gorender e outros, não aceitaram essa posição e partiram para a luta armada contra a ditadura, com heroísmo, mas sem êxito, como é de conhecimento histórico.
Embora a linha do PCB fosse correta, o partido não resistiu à perseguição, infiltração da CIA e foi gravemente golpeado entre 1975-77, com mais um 1/3 de seus dirigentes assassinados.
Na prática, quem colocou essa linha de unidade e luta pelas liberdades democráticas, entre as quais, o direito de greve, foi Lula e o movimento operário do ABC, que se espalhou pelo Brasil e mais tarde evoluiu para se constituir no Partido dos Trabalhadores.
Na volta do exílio, em 1979, o PCB, dividido entre Prestes e uma direção conciliadora e vendo nos anos seguintes um novo partido operário assumir o protagonismo nacional, não conseguiu mais recuperar o seu antigo papel e sucumbiu enquanto legenda comunista histórica.
A parte conciliadora e anti-Prestes assumiu a direção de um partido sem rumo e deu o tiro de misericórdia no PCB ao criar o PPS, um partido que se tornou linha auxiliar dos tucanos.
Por sua vez o PCdoB, que conseguiu resistir aos sérios golpes da ditadura, se colocou, legitimamente, como os herdeiros do antigo PCB e a representação legal dos comunistas organizados enquanto partido.
Nessa fase histórica da luta de classe entendemos que não é preciso estar filiado a um partido formalmente comunista para ser comunista ou atuar como revolucionário marxista. Temos muitos comunistas no PT, no PSOL, na UP, no PCO, no MST, no novo PCB e outros movimentos socialistas.
Dedico esse superficial relato histórico do PCB ao conhecimento dos jovens que se integram no movimento revolucionário e que por isso precisam da história como referência da luta.

Val Carvalho
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