23/09/2020 às 06h53min - Atualizada em 23/09/2020 às 06h53min

​O DÓLAR FURADO

UM PROBLEMA REAL


Jair Bolsonaro não é ficção, é uma obra de terror. Afugenta tudo que vê pela frente, principalmente os dólares dos investidores. De janeiro a agosto deste ano, já fugiram do país 15 bilhões e 200 milhões de dólares. É simplesmente o maior volume em fuga, em período semelhante, desde 1982, quando o Brasil da ditadura militar era conduzido por Figueiredo.

Além de ser cada vez menos atraente para quem vive aqui, o Brasil também deixou de ser atraente para os investidores estrangeiros.
Claro que temos que considerar a crise global provocada pela pandemia do coronavírus (Covid-19), mas além disso temos que considerar o desastre específico chamado Bolsonavírus.
Graças a isso, os investidores estrangeiros já retiraram R$ 87,3 bilhões da Bolsa brasileira de janeiro a 17 de setembro de 2020!!! É quase o dobro do registrado em todo o ano passado, quando saíram R$ 44,5 bilhões. É a maior fuga da Bolsa desde 2008.

Os dados do fluxo cambial consideram os resultados das exportações e importações do país, a chamada conta comercial, e o fluxo financeiro de investimentos, aportes em títulos ou dividendos remetidos e recebidos do exterior, a conta financeira. As saídas se concentram exatamente na conta financeira: foram US$ 89,6 bilhões no período de 12 meses até agosto.
Já a conta comercial tem saldo positivo de US$ 36,2 bilhões nessa comparação.
 
Investimento cai 27%
Em uma audiência virtual promovida na terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, alertou para a imagem do Brasil no exterior, que está cada vez pior.
— Em função da piora concreta das taxas de desmatamento e de sinais abundantes de que prevalece hoje uma certa tolerância com a questão, o Brasil tem merecido uma imagem bastante negativa na cena internacional. O mesmo obscurantismo que nos prejudicou e nos prejudica no combate à pandemia nos afeta também nos temas ambientais — disse ele.
Qualquer hesitação nessa área, destacou, “reforça essa percepção negativa que hoje se abate” sobre o Brasil, que corre o risco de se tornar um pária.
 
Não é à toa que o investimento estrangeiro no país registrou o menor resultado para um primeiro semestre em mais de uma década. Nos primeiros seis meses deste ano entraram US$ 22,8 bilhões, o menor patamar desde os US$ 13,9 bilhões registrados em 2009 e uma queda de 27% na comparação com o mesmo período de 2019.
 
Claro que no mundo da fantasia de Bolsonaro o país vive um conto de fadas. Contrariando os dados do BC, ele afirmou, em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, que os investimentos cresceram:
— O Brasil foi, em 2019, o quarto maior destino de investimentos diretos em todo o mundo e no primeiro semestre de 2020. Apesar da pandemia, verificamos um aumento de ingresso de investimentos em comparação com o mesmo período do ano passado.
 
Arminio Fraga destacou que o desmatamento vai prejudicar cada vez mais o agronegócio, as exportações e os investimentos estrangeiros no Brasil:
— O desmatamento e outros crimes ambientais, além de agravarem o problema global, trazem enorme risco para o ecossistema do agronegócio, nosso setor mais bem-sucedido, e também para a oferta de energia no nosso país.
Ele diz que isso prejudica cada vez mais o acesso a mercados para os produtos brasileiros:
— Basta lembrarmos o acordo com a União Europeia. A crescente ênfase, por parte das melhores empresas do mundo, do trio chamado em inglês ESG (Environmental, Social and Governance, que significam meio ambiente, questão social e governança), reduz a atratividade do Brasil como destino de investimentos.
 
Daniela da Costa-Bulthuis, gestora para o Brasil da holandesa Robeco Asset, também alerta para as consequências da atual política ambiental para o futuro do país:
— O país está perdendo o capital de longo prazo, que é o que vem para ficar e que vai aumentando os investimentos ao longo do tempo. Em um exemplo hipotético, o estrangeiro pode ficar receoso de investir em uma fábrica de alimentos no Brasil e, dali a certo tempo, algum produto agrícola brasileiro ser proibido no mercado internacional por causa de práticas contra a preservação ambiental.
 
Não importa com quem você fale, a conclusão é única, nosso problema tem a mesma cara e o mesmo nome: Jair Bolsonaro.
 
Leia também no Brasil247 e no Globo.
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