29/08/2020 às 08h39min - Atualizada em 29/08/2020 às 08h39min

É IMPORTANTE UMA ALIANÇA CONTRA O FASCISMO

MAS CASAR COM QUEM?


Dilma Roussef, nossa ex-presidentA, botou a cara na rua para falar sobre as eleições de 2022, com um propósito bastante nobre – juntar o povo de esquerda, de centro-esquerda, até de centro, ou seja lá em que posição queira participar, com o objetivo único de derrotar o fascismo que tomou conta do país. Mas Dilma acabou reconhecendo: “a melhor hipótese seria uma frente comum, mas com quem?”
 
Quase resignada, Dilma constatou o óbvio: “Como é que eu faço uma aliança com quem não quer aliança? Eles não querem aliança, eles querem o isolamento dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais, é isso que eles querem. O Fernando Henrique propôs uma aliança e no dia seguinte ele passou a defender o Bolsonaro”, afirmou à TV 247. 
 
Dilma acabou reconhecendo que não há como abrir espaço para uma frente ampla, já que a direita e o centro não defendem interesses do Brasil e flutuam de um lado para o outro do governo federal, às vezes sendo oposição, outras vezes sendo aliados. Não vê clareza, por exemplo, se partidos de direita e de centro estão realmente dispostos a lutar contra o bolsonarismo – o que parece até com certa ingenuidade sobre a política e os políticos que temos...
Dilma diz com certa pureza: “Há uma diferença entre o que eu gostaria e o que é possível. Eu acho que a melhor hipótese para nós seria uma frente comum entre todos aqueles que quisessem tirar o Bolsonaro. Por que eu acho que ela é diferente do que eu quero? Ela é diferente do que eu quero porque, por exemplo, o DEM, nem em Salvador, nem na Bahia, fecha conosco, pelo contrário, o DEM é oposição ao Rui Costa na Bahia, e nessa eleição municipal o DEM vai apresentar candidato contra o nosso, e nós vamos apresentar candidato contra eles. Enfim, eu acredito que as frentes se dão em torno de interesses, não acho que hoje esteja claro que o DEM, o PSDB, o MDB, o Centrão tenham qualquer interesse em derrubar o Bolsonaro, e não há nada que a gente faça que vá demovê-los”.
 
Não há como confiar no centro atualmente, de acordo com Dilma Rousseff, devido à falta de “compromisso com o Brasil” por parte desse campo. O que este setor deseja, segundo ela, é isolar os partidos de esquerda e movimentos sociais. “Hoje você não tem lideranças de centro, você não tem nenhuma liderança de centro com compromissos com o Brasil, não tem. Você tem o Rodrigo Maia querendo completar as reformas neoliberais que destruirão o Brasil. Então como é que eu faço uma aliança com quem não quer aliança? Eles não querem aliança, eles querem o isolamento dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais, é isso que eles querem. Desde o dia em que começou o golpe, aquela história de não ficar pedra sobre pedra dizia respeito a nós também, eles não queriam que sobrasse de nós pedra sobre pedra, e aí eu te digo o seguinte: fazer como aliança? Com quem? O Fernando Henrique propôs uma aliança e no dia seguinte ele passou a defender o Bolsonaro”.
 
Caríssima, presidenta: como é que a esta altura da vida e da política ainda espera alguma coisa de Fernando Henrique e seus trucanos?
Dilma disse também que, sobretudo, é preciso formar uma frente que defenda a democracia e que sustente pautas de interesse nacional. “Tem de ter uma frente com o mínimo. Nós temos que ser contra o teto de gastos, nós temos que ser contra tirarem os R$ 600 da população enquanto estiver a pandemia, que não acabou com os 100 mil mortos, nós temos que ser uma frente que defenda o emprego, então nós vamos ter de ter elementos mínimos em comum. Nós vamos defender a Amazônia. Essa história de só sustentar o Bolsonaro sem dizer o que vai colocar no lugar não dá também”.
“Eu acredito que a realidade estreitou a frente quando os neoliberais fizeram uma aliança com os neofascistas e produziram algumas coisas. Eles produziram um fogo amigo sobre a direita, porque a direita ou centro-direita participou do governo Temer, foi objeto da Lava Jato. Olha o PSDB. O PSDB era o maior representante da centro-direita no Brasil. Nós disputamos todas as últimas eleições com o PSDB. O PSDB era um partido menor? Não, não era um partido como o Centrão, era um partido estruturado. Mas virou pó”, completou.
 
É muito importante ouvir vozes como a de Dilma ou de Lula. Mesmo sabendo que elas tentam nadar em um Mar da Surdez, temos a esperança de um dia voltar a alcançar a margem esquerda.
 
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