09/06/2020 às 20h20min - Atualizada em 09/06/2020 às 20h20min

​STF MANDOU E O GOVERNO DIVULGOU OS DADOS COMPLETOS DA PANDEMIA

MINISTRO DA SAÚDE INTERINO NEGA QUE QUERIA OMITIR AS MORTES: “ É INESCONDÍVEL”.

A transparência das informações sobre a pandemia do coronavírus no Brasil foi restabelecida. O ministério da Saúde voltou a divulgar os dados totais de mortes e casos de contaminação da Covid-19, na tarde dessa terça-feira, depois que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou, na segunda-feira à noite, que o governo tinha 48 horas para retomar a liberação das informações como vinha sendo feita desde o início da pandemia.
Na sexta-feira, 5 de junho, o portal da Covid-19 do ministério saiu do ar e, ao voltar, no sábado, só passou a divulgar os números de mortes e casos de infecção das últimas 24 horas, sem contabilizar os dados totais. Partidos da oposição, o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas da União ( TCU), a OAB e outras entidades reagiram à mudança feita sem explicação. O presidente Bolsonaro chegou até a dizer que era “melhor para o Brasil” não divulgar os números totais. Sobre a mudança de horário das 17 para as 22h, ele ainda debochou junto com a claque de apoiadores, que fica na porta do Palácio da Alvorada. “Não vai ter aquela matéria no Jornal Nacional”, mas teve até plantão, assim que os números foram divulgados. 
O risco de manipulação dos dados oficiais foi questionado no mundo, abalando ainda mais a credibilidade do Brasil. O PSOL, o PCdoB, e a Rede Sustentabilidade foram ao STF para pedir a revogação da mudança. A decisão do ministro Alexandre de Moraes exigiu que o governo recuasse.  
Segundo o site do ministério da Saúde, o Brasil tem 707.412 casos confirmados e já registrou 37.134 mortes em consequência do coronavírus ,mas o governo manteve o destaque para  o número de pacientes recuperados e em acompanhamento. 
O dia realmente não é do ministro da Saúde interino, general Eduardo Pazuello. Foto do ministro usando, de cabeça para baixo, a máscara com a bandeira do Brasil e a marca do SUS, viralizou e os internautas  compararam ao “caos” no combate ao coronavírus. Na reunião ministerial, pela manhã, Pazuello cometeu  uma gafe geográfica, ao tentar explicar as regiões do Brasil em relação à pandemia.



Já na Câmara dos Deputados, durante a sessão da Comissão Externa de Ações contra o coronavírus, o general que ainda está interino no cargo, disse que não era intenção do ministério da Saúde esconder os dados sobre a crise sanitária, mas “buscar a verdade”. E disparou. “E agora vamos ter metade do mundo dizendo que queremos esconder o óbito? É inescondível. Estou querendo buscar a verdade e a verdade é evitar a subnotificação, não a hipernotificação”.
Inescondível, ministro? Se já é difícil para o brasileiro entender, imagina como vai ser na comunidade internacional?
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