01/06/2020 às 07h31min - Atualizada em 01/06/2020 às 07h31min

BLACK & WHITE

ESTADOS UNIDOS EM CHAMAS


São 3 dias e 3 noites de protestos violentos. São os Estados Unidos pegando fogo por causa da morte absurda, na semana passada, do negro George Floyd provocada por um policial branco. As manifestações de domingo à noite tinham começado pacificamente. Mas logo deterioraram-se em fogos de artifício, gás lacrimogêneo e vários incêndios, muitos perto da Casa Branca, onde tudo começou, na noite de domingo. Foi quando manifestantes enfurecidos se reuniram pela terceira noite seguida após a morte de George Floyd.
Aliás, os protestos de domingo à noite em frente à Casa Branca começaram alegres, com milhares de pessoas no parque de Lafayette. No início do dia, manifestantes marcharam pelo centro da cidade, cantando "George Floyd! Diga o nome dele! e “sem justiça! Nenhuma paz!"

À medida que o toque de recolher anticoronavírus das 23 horas se aproximava, aumentavam as tensões entre manifestantes e polícia. Os manifestantes enfrentaram uma fila de algumas centenas de policiais apoiados por guardas nacionais. As luzes que iluminavam o lado norte da Casa Branca, que fornecia o pano de fundo para os rostos de manifestantes e policiais, foram apagadas (normalmente, são desligadas quando um presidente morre). Às 23 horas, a linha de polícia em frente à Casa Branca avançou com bombas de gás lacrimogêneo pelo parque Lafayette, afastando os manifestantes com disparos intermitentes.
Uma área de alguns quarteirões ao redor da Casa Branca estava cheia de fumaça. Um incêndio foi iniciado no porão da igreja de Saint John, que desde 1816 é a "Igreja dos Presidentes". Todo presidente deesde James Madison faz orações nela. O Corpo de Bombeiros chegou lá rapidamente e apagou o fogo.

Mas logo em seguida  alguns manifestantes quebraram a janela de vidro da frente da sede da Federação Sindical AFL-CIO e alguém começou um incêndio no saguão. Algumas pessoas tentaram dissuadi-los, gritando que os "sindicatos estão do nosso lado", mas sem sucesso. A 50 metros de distância, na rua 1, um carro estava queimando e um grupo de seis jovens corriam pela rua, quebrando as janelas de todos os carros com os tacos de beisebol de metal.
Dois jornalistas foram alvo da polícia. Um operador de câmera da CNN foi atingido por um cassetete da polícia enquanto segurava sua câmera e suas credenciais, e um repórter da NBC também apanhou de um policial, enquanto transmitia as notícias.
Saques foram relatados em vários distritos comerciais da capital, incluindo Georgetown, o velho bairro rico a oeste da Casa Branca, onde foram relatados tiros. Avisaram os moradores para não saírem.
A Casa Branca ficou envolta em fumaça negra.
Donald Trump, sua esposa, Melania e o filho Barron, foram levados para o bunker da Casa Branca no auge dos protestos na sexta-feira e depois voltaram, quando a multidão se dispersou.
No domingo, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, disse que não daria toque de recolher, porque achava que isso seria simplesmente ignorado por manifestantes violentos, mas às 20h ela mudou de ideia, ordenando que as pessoas saíssem das ruas das 23h de domingo até 6h da segunda-feira.
A polícia reforçou por toda a guarda nacional de Washington, e também os agentes da Agência de Repressão às Drogas e do Serviço de Marechal dos EUA. Eles conseguiram retirar os protestos da área da Casa Branca, mas ainda havia relatos de saques nos subúrbios do interior, depois que o toque de recolher havia passado.

Leia também em The Guardian.


 
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