18/05/2020 às 17h56min - Atualizada em 18/05/2020 às 17h56min

​ONU CRITICA PAÍSES QUE IGNORARAM RECOMENDAÇÕES DA OMS

GENERAL INTERINO NA SAÚDE DIZ QUE O GOVERNO DIALOGA COM TODOS


A abertura da 73ª Assembleia Mundial da Saúde em tempos de pandemia do coronavírus, nessa segunda-feira, 18 de maio, foi marcada pelo discurso crítico do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, aos países que “ignoraram as recomendações” da Organização Mundial da Saúde. Pela primeira vez em videoconferência, os participantes viram Guterres afirmar  que o mundo paga “um preço alto” pelas estratégias divergentes, sem citar nomes dos países, como o Brasil e os Estados Unidos. 
 "Vimos expressões de solidariedade, mas pouquíssima unidade em nossa resposta à Covid-19. Os países seguiram estratégias divergentes e todos pagamos um preço alto por isso", disse o português que está no mais alto cargo da ONU.
A mesma plateia, que sabe o que acontece no Brasil, deve ter se surpreendido com a participação do ministro interino da Saúde brasileiro, o general Eduardo Pazuello. Ele teve coragem de dizer à comunidade internacional que o governo Bolsonaro tem um “diálogo” com todas as esferas no combate ao coronavírus. Será que o general esqueceu que existe a internet? Será que ele acha que os representantes dos 194 países não têm acesso às informações sobre os ataques diários aos governadores e prefeitos brasileiros? Será que ele acha que ninguém sabe que em menos de um mês, em plena pandemia, o governo Bolsonaro já trocou dois ministros da Saúde e que, ele mesmo, só está esquentando a cadeira porque o terceiro, ou uma nova ministra já está a caminho?

Em Brasília, a médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi , cotada para assumir o ministério da Saúde, não quis falar sobre o isolamento social, mas reafirmou a defesa do uso da cloroquina no tratamento da Covid- 19, em entrevista a Diogo Schelp eTales Faria, colunistas do UOL. Sem provas, ela criticou os estudos que mostram os riscos que causam a substância. Ao ser questionada se estava preparada para substituir o colega Nelson Teich, ela afirmou que aceitaria o convite, mas que a decisão não cabe a ela. “Eu  assumir o ministério não depende só de mim. Eu acho que meu papel nessa epidemia toda é apaziguar o povo onde eu estiver. 30% acreditam que vão morrer na pandemia, mas até o momento são 10%. Aparentemente, o número de mortes no Brasil é grande, mas eu vejo pouca gente tratar”, criticou a médica.

Enquanto o general tentava defender o governo Bolsonaro na ONU, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), anunciava que o presidente Bolsonaro tenta organizar uma reunião entre os governadores, que também teria a participação do presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e até do ministro Dias Toffoli, presidente do STF. Seria uma maneira de Bolsonaro furar o isolamento político que se encontra desde o início da pandemia. Como Bolsonaro já virou um especialista em querer acabar com o isolamento social, será que ele vai conseguir armar esse encontro? Com a palavra, os governadores tão atacados pelo presidente e seus apoiadores.

A tarefa para Jair Bolsonaro é difícil, no momento em que o número de mortes no Brasil causadas pelo coronavírus já ultrapassa 16 mil, com 242  mil pessoas infectadas. 

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