08/05/2020 às 17h27min - Atualizada em 08/05/2020 às 17h27min

​VÍDEO DA REUNIÃO MINISTERIAL É “UMA BOMBA”.

TERIA ATÉ ATAQUES CONTRA O STF


A “novela” do entrega ou não entrega ao STF o vídeo da reunião ministerial, de 22 de abril, citada pelo ex-juiz Sergio Moro, no depoimento da Polícia Federal, para provar que o presidente Jair Bolsonaro exigia a troca da superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, teria um roteiro bombástico. Segundo informações conseguidas pelo jornais O Globo e  o Estado de São Paulo, o vídeo mostraria o mesmo Bolsonaro que o Brasil se horroriza todos os dias e muito mais.

Como o ambiente está carregado, o conteúdo teria muitos palavrões, ameaças de demissão de ministros, revelações sobre a entrega de cargos para o Centrão, pedidos para ter acessos às informações sigilosas das investigações e até ataques diretos ao STF, particularmente ao ministro Celso de Mello, relator do caso. Seria esse o principal motivo para o governo resistir a cumprir a ordem de Celso de Mello para entregar a íntegra da gravação.

Nessa quinta-feira, 7 de maio, a Advocacia-Geral da União, pediu ao decano do STF para enviar só trechos da reunião que tenham ligações diretas com o então ministro da Justiça e o presidente Bolsonaro. No dia anterior, a AGU havia pedido que o ministro Celso de Mello reconsiderasse a ordem alegando que a gravação tinha “assuntos sensíveis ao Estado”.
Mas a repórter Thaís Oyama, do UOL, apurou que a parte que o governo mais teme seria a que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ataca o STF, ao comentar medidas tomadas pela Suprema Corte que o governo não gostou. Weintraub teria afirmado que o STF é composto por “onze filhos da puta”. E é claro, que  Celso de Mello, está entre eles. Imagina qual será a reação do relator ao ver ataques contra ele em plena reunião ministerial.

Pelo Twitter, o ministro da Educação questionou a informação da repórter e disse “ser educado”, mas não negou os ataques ao STF. “Há muito 'jornalista' dizendo que eu xinguei fulano, beltrano e siclano. Tenho muitas horas de entrevistas duras e inúmeros debates no Congresso (onde eu fui, sim, xingado). Desafio a apontarem um único palavrão que eu tenha proferido. Posso ser contundente, porém, sou bem educado.”, escreveu Weintraub.

Atitudes desrepeitosas contra pessoas e até países já levaram o ministro da Educação - logo da Educação! - a ser denunciado na Comissão de Ética, várias vezes. No ano passado, sofreu uma advertência, por unanimidade, por ter comparado o ex-presidente Lula e a ex-presidenta Dilma a droga. O ministro que, em tese, é responsável pela Educação no Brasil, também foi denunciado por ter xingado a mãe de uma internauta de “égua sarnenta e desdentada”. No mês passado, Weintraub, resolveu agradar o fiho 03 de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e engrossou as críticas à China, na crise do coronavírus. O STF abriu inquérito para investigar Weintraub pelo suposto crime de racismo contra os chineses.

Advinha quem foi o ministro que encaminhou o pedido para a Procuradoria Geral da República? Ministro Celso de Mello. A China também teria sido atacada durante a reunião ministerial. Por tudo isso e muito mais, esse vídeo é mesmo uma “bomba” que tem tudo para aumentar a tensão no governo Bolsonaro.
 
Leia mais no Uol, O Globo e Estadão
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