13/01/2020 às 02h18min - Atualizada em 13/01/2020 às 02h18min

CESSAR FOGO NA LÍBIA

VITÓRIA DA DIPLOMACIA TURCO-RUSSA


A Líbia experimentou neste domingo, 12 de janeiro - pela primeira vez em semanas -, uma frágil trégua nas linhas de frente, onde as forças opostas do Governo do Acordo Nacional (GAN), de Faïez Sarraj, e o Exército Nacional da Líbia (ENL/ANL), do marechal Khalifa Haftar, estão lutando.

O cessar fogo, depois da meia-noite de domingo, foi acertado sob a pressão conjunta de turcos e russos - respectivamente apoiadores da GAN e da ANL. E esse cessar fogo "deve ser razoavelmente respeitado, especialmente quando analisamos as consequências da recente internacionalização do conflito, com o uso de drones ", segundo Emadeddin Badi, pesquisador do Instituto do Oriente Médio. As lutas continuaram nos distritos de Aïn zara e Salaheddine, no coração da capital da Líbia, mas representaram apenas "pequenas violações do cessar-fogo", disse Badi.

Esta é a primeira medida de “desescalada” empreendida desde o ataque lançado em abril de 2019 pela ANL do marechal Haftar contra forças que permaneceram leais ao GAN de Sarraj, o governo líbio reconhecido pela comunidade internacional. O respeito relativo a este cessar-fogo, fruto de uma reunião de 8 de janeiro em Istambul entre o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e seu colega russo Vladimir Putin, confirma “o surgimento da Turquia e da Rússia como grandes vencedores no nível diplomático ”, acrescenta Emadeddin Badi.

Os dois homens fortes da Líbia se reuniram em Moscou

Moscou se destaca em particular como um ator decisivo na mediação em andamento, como ilustrado pela presença do marechal Haftar na capital russa, onde seu rival, Faïez Sarraj, deve se juntar a ele nesta segunda-feira, segundo Khaled Al-Mechri, presidente do Conselho de Estado em Trípoli. Se um acordo formal de cessar-fogo for assinado em Moscou - estabelecendo assim um compromisso até então puramente verbal – a dupla turco-russo conquistaria uma grande vitória, na mediação diplomática da Líbia que está tomando forma.
Segundo a garantia dada pela Rússia, fontes próximas ao GAN de Sarraj indicam que os combatentes de língua russa, presumivelmente vinculados à empresa de segurança privada Wagner, "deixaram" a linha de frente de Trípoli. A presença desses "mercenários" de Wagner, cujo número oscilou entre 300 e 2.000, mudou o curso da Batalha de Trípoli em novembro de 2019, infligindo severos contratempos às forças leais ao GAN de Sarraj, agora colocadas na defensiva.

Encurralado, o governo de Trípoli pediu ajuda à Turquia, cujo parlamento aprovou uma moção em 2 de janeiro, autorizando o envio de tropas para a Líbia. A retirada de Wagner, se for confirmada, poderá fazer parte de um acordo russo-turco que todos os dias confirma ainda mais a marginalização dos europeus no teatro líbio.
 
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