25/07/2022 às 08h46min - Atualizada em 25/07/2022 às 08h46min

QUAL A ORDEM DA NOVA ORDEM MUNDIAL?

SAIR DA ORDEM OU DA DESORDEM?



Na sua reunião recente, os líderes da Rússia, Irã e Turquia demonstraram ao Ocidente que está se formando uma nova ordem mundial – foi o que escreveu o colunista Ozan Demircan para a alemã Handelsblatt. "Uma mensagem lançada com estas negociações é clara: os países ocidentais obtêm concorrentes e perdem a sua influência nas questões geopolíticas sérias", acredita o jornalista.
 
Demircan salientou que a Rússia, representada por Vladimir Putin, está criando de forma insistente uma nova ordem mundial, enquanto o Ocidente assiste o processo, incapaz de intervir, sem oportunidade alguma de isolar a Rússia na arena internacional.
Além de Putin, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente iraniano Ebrahim Raisi seguem a mesma linha. Ozan Demircan chama atenção para o fato de Teerã ter ampliado muito sua rede de contatos nos últimos tempos, apesar das sanções, enquanto Ancara desempenha um papel cada vez mais importante nas negociações de resolução de crises mundiais.
"A unidade que a reunião demonstrou foi muito mais do que uma ação política de relações públicas. O Ocidente não deve a subestimar", constatou o analista.
 
Na semana passada, Vladimir Putin, Recep Tayyip Erdogan e Ebrahim Raisi realizaram em Teerã negociações trilaterais no formato de Astana, discutindo a situação na Síria.
Após o início da operação militar de desmilitarização e desnazificação da Ucrânia, o Ocidente fortaleceu a pressão de sanções contra Moscou. Muitos países anunciaram o congelamento de ativos russos, com o Ocidente embarcando no curso de recusa da energia russa. Tais medidas resultaram em problemas econômicos para a própria Europa e os Estados Unidos, tendo provocado o aumento dos preços de alimentos e combustível.
 
O ocidente (EUA e Europa Ocidental) tem que abrir os olhos para um mundo que se amplia.
 
Leia também no Brasil247. E, abaixo, o texto completo de Ozan Demircan.
 

 
A Turquia é manchete na Europa há mais de cinco anos com escândalos, ataques terroristas e políticas cada vez mais autoritárias. Por que alguém deveria trabalhar lá como correspondente em um momento como este, enquanto colegas estão sendo presos por acusações de terrorismo?
Acho que é exatamente por isso que os jornalistas não devem ignorar o país. É por isso que decidi, na primavera de 2017, desistir do meu posto de correspondente na tranquila Zurique e me mudar para a megametrópole de Istambul.
Não me arrependo: a cidade do Bósforo me fascina todos os dias, e aqui você pode escrever sobre tudo como correspondente, porque algo novo acontece todos os dias: da política interna à política externa, política de defesa, direitos humanos, a economia alemã na Turquia até a moeda lira turca, imóveis e, claro, pesquisas investigativas sobre transações desonestas por empresas turcas.
A escola de jornalismo de Colônia, que frequentei até 2012, me deu as ferramentas para este trabalho. Ao mesmo tempo, estudei economia na Universidade de Colônia – apenas ser capaz de pesquisar e escrever não é suficiente. Escrevi minha tese sobre o que os jornalistas devem prestar atenção quando confrontados com estudos, estatísticas e pesquisas de opinião.
Sou editor da Handelsblatt desde agosto de 2012 e inicialmente escrevi sobre o setor de seguros por dois anos. A parte mais empolgante foi chegar a um acordo com o meu colega Sönke Iwersen sobre o caso do seguro Debeka. Nunca esquecerei minha visita ao ex-corretor de seguros Mehmet Göker na Turquia.
Como filho de mãe alemã e pai turco, sinto-me tão confortável em minha cidade natal, Colônia, quanto em Istambul. Adoro o carnaval, bem como uma visita ao hammam (banho turco) mais antigo de Istambul, "Cemberlitas". Minha dica: faça uma viagem de balsa para as Ilhas dos Príncipes ao sul de Istambul, onde carros não são permitidos.

Ozan Demircan, em Handelsblatt.
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