26/02/2022 às 13h10min - Atualizada em 26/02/2022 às 13h10min

GUERRA NA UCRÂNIA!

IMPACTOS NO BRASIL...



Guerra é sempre um absurdo, um desequilíbrio, algo que foge inteiramente ao que seria o ideal das relações humanas. Aloizio Mercadante aproveita o momento ‘russo-ucraniano’ para falar de seus impactos:
 
Guerra na Ucrânia: impactos econômicos e geopolíticos
 
A deflagração da operação de guerra da Rússia sobre a Ucrânia, esta semana, pode ter consequências dramáticas para a já combalida economia brasileira. Isso porque o início do grave conflito militar na Europa pressiona os dois principais pilares da inflação no Brasil: petróleo e alimentos.
 
Após o anúncio de uma operação militar na Ucrânia pelo presidente russo, Vladmir Putin, o preço do barril do petróleo, que já vinha em alta, superou a marca dos 100 dólares pela primeira vez desde setembro de 2014. Nesse cenário de alta, o Brasil não conta com uma política estratégica para a Petrobras enfrentar a questão pelo abandono dos investimentos no refino e em um sistema integrado de produção, distribuição e comercialização, que gerem ganho e competitividade em relação a outras economias.
 
Nos governos Bolsonaro e Temer, a Petrobras foi desmantelada e opera pela lógica da Política de Preço de Paridade de Importação. Com isso, a cadeia nacional de petróleo e gás está subjugada aos interesses de 390 empresas importadoras dos acionistas minoritários da empresa, que impõe uma política de dolarização dos preços dos combustíveis em território nacional. É inacreditável que depois do país atingir a condição de autossuficiente em petróleo, com a descoberta das gigantescas reservas do pré-sal em nossos governos, tenha-se optado por se tornar mero exportador de óleo cru e importador de produtos acabados.
 
Com isso, em 2021, ano que o povo brasileiro pagou preços recordes na gasolina, no óleo diesel e no gás de cozinha, a Petrobras apresentou o maior lucro de sua história, R$ 106,6 bilhões, um crescimento de 1.400% em relação ao ano anterior. Seguramente, a alta do barril do petróleo decorrente da guerra na Europa, frente à fragilidade da Petrobras, resultará em inflação na veia e um efeito cascata nos custos de produção da economia brasileira.
 
O segundo ponto de atenção são os possíveis impactos do conflito na importação de fertilizantes da Rússia, especialmente o cloreto de potássio, produto fundamental para a fertilização do solo e indispensável para a agricultura nacional. O Brasil importa 95% do potássio que utiliza e a Rússia é a principal fornecedora desse produto para o país.
 
O potássio já está em falta e, assim como petróleo, também está em alta. É evidente que alta do preço terá impacto no custo de produção dos produtos agrícolas, pressionando o preço dos alimentos e impactando de forma dramática na cesta básica e na inflação.
 
Nada justifica uma guerra e acreditamos na construção da paz por meio do diálogo e da diplomacia, mas é inegável que o fim União Soviética poderia ter gerado uma ação pacificadora do Ocidente. Mas, ao contrário disso, as forças ocidentais da OTAN optaram por aprofundar uma política agressiva de expansão, passando de 12 membros originais para 30 Estados, inclusive com nações fronteiriças à Rússia, como tentam fazer agora com a Ucrânia.
Não é demais lembrar que no início do mês, portanto antes do início da incursão russa, Putin e o presidente da China, Xi Jinping, divulgaram um comunicado em que denunciavam essa expansão da OTAN, que está no centro do atual conflito em curso na Ucrânia.
 
Esse entendimento entre Rússia e China mexe definitivamente com a geopolítica mundial. Os bloqueios econômicos do Ocidente podem ter algum efeito de curto prazo na economia russa. O embargo ao gasoduto entre Alemanha e Rússia, por exemplo, gerará uma grave crise energética para os alemães, ao mesmo tempo que possibilita a Moscou oferecer gás natural barato para a China por meio do projeto Força da Sibéria.
 
Os efeitos de médio e longo prazo do bloqueio Ocidental podem até agravar a vulnerabilidade econômica da Rússia, mas colocam no horizonte também um possível acordo comercial amplo entre russos e chineses. Por isso, os desdobramentos dos conflitos na Ucrânia podem resultar na supremacia da economia chinesa no mundo, ao mesmo tempo em que, no Brasil, viveremos o aprofundamento da crise econômica e a explosão inflacionária, em razão de um presidente pária internacional, que é incapaz de entender os desafios, de dialogar, de negociar e de ser respeitado pelas principais lideranças do mundo.
 
 
 
Enfim, se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho pega também. E se nem correr nem ficar... já era!
 
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