02/10/2021 às 08h38min - Atualizada em 02/10/2021 às 08h38min

A ECONOMIA ESTÁ DECOLANDO

DISSE GUEDES, DE CABEÇA PRA BAIXO...

 
A inflação está galopante e o rendimento médio está em queda. Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes,talvez por daltonismo extremado, ver tudo azul.
Nessa sexta-feira, 1º, voltou a pintar um cenário econômico favorável no Brasil, em evento no Palácio do Planalto. Ele declarou que o País "está decolando mais uma vez, apesar da crise hídrica e da inflação subindo". Vamos repetir: "o País está decolando mais uma vez, apesar da crise hídrica e da inflação subindo". Que país é esse?
 
“O Brasil se levantou e começou a caminhar. Tem as reformas institucionais disparando as ondas de investimentos. Nós temos 544 bilhões de reais de investimentos já contratados”, argumentou. “O Brasil vai crescer. Diziam que nós iríamos estar no fundo do poço, nós voltamos ‘em V’. Dizem que no ano que vem nós não vamos crescer, nós vamos crescer de novo.” Seria o caso de esperar pra V?
 
O otimismo de Guedes tem poucos pontos de apoio na realidade. Dados divulgados pelo IBGE na quinta-feira, 30, mostram que 14,1 milhões de brasileiros estão desempregados. Vamos repetir, para ver se Guedes percebe. Dados divulgados pelo IBGE na quinta-feira, 30, mostram que 14,1 milhões de brasileiros estão desempregados.
 
A taxa de desemprego, que ficou em 13,7% no trimestre encerrado em julho, teve redução de apenas um ponto percentual na comparação com o período entre fevereiro e abril.
A pesquisa do IBGE indica que os trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas chegaram a um recorde: 7,7 milhões. O aumento é de 7,2%. O número indica que a recuperação declamada pelo governo se sustenta em postos de qualidade reduzida, com poucas horas de trabalho.
 
O aumento da população ocupada indicado pela pesquisa é impulsionado principalmente pela informalidade. Segundo o IBGE, o trabalho informal chegou a 36,3 milhões de pessoas e a uma taxa de 40,8%. No trimestre anterior, a taxa foi de 39,8%, com 34,2 milhões de pessoas. Há um ano esse contingente era menor: 30,7 milhões e uma taxa de 37,4%.
“Em um ano, o número de informais cresceu 5,6 milhões. O avanço da informalidade tem proporcionado a recuperação da ocupação da PNAD Contínua”, explica Adriana Beringuy, analista da pesquisa.

O trabalho por conta própria cresceu e atingiu o recorde de 25,2 milhões de pessoas, um aumento de 4,7%, com mais 1,1 milhão de pessoas. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o contingente avançou 3,8 milhões, alta de 17,6%. Entre as categorias da informalidade, é a que mais cresceu no último trimestre.
No setor privado, o contingente de empregados sem carteira assinada subiu 6%, para 10,3 milhões. No ano, o aumento é de 19%. Já o avanço do número de empregados com carteira de trabalho no trimestre foi mais modesto, de 3,5%.
 
Outro detalhe significativo é que o rendimento médio real não acompanha o crescimento da ocupação: ele caiu 2,9% frente ao trimestre anterior e 8,8% na comparação com o mesmo trimestre de 2020, ficando em 2.508 reais.
 
“Temos mais pessoas ocupadas, no entanto, com rendimentos menores. Isso faz com que a massa de rendimentos fique estável. A despeito de um crescimento tão importante da população ocupada, a massa de crescimento não acompanha a expansão, devido ao fato de a população ocupada estar sendo remunerada com rendimentos menores, tanto na comparação trimestral quanto na anual”, conclui a analista da PNAD.
 
O bolso do consumidor
E ainda tem o fantasma da inflação. Na quinta-feira, 30, o Banco Central subiu de 5,8% para 8,5% a estimativa para o avanço do IPCA em 2021. Segundo o BC, passou de 74% para 100% a probabilidade de a inflação superar o teto da meta, de 5,25%. Ou seja, vai superar! Com isso, a taxa básica de juros, a Selic, tende a seguir subindo. O BC já indicou que deve promover um novo aumento no índice, que deve chegar a 7,25% ao ano no fim de outubro.
 
Nos próximos dias, conheceremos os números do IPCA de setembro. O balanço mais recente é o de agosto, em que o índice avançou 0,87%, a maior taxa para o mês desde 2000.
 
Em 24 de setembro, o IBGE divulgou o IPCA-15 (que é uma prévia da inflação oficial do País), com o índice apontando uma aceleração de 0,87% em agosto para 1,14% em setembro.
De acordo com o IBGE, “trata-se do maior resultado para o mês de setembro desde o início do Plano Real, em 1994, quando ficou em 1,63%”. É também a maior taxa da série histórica do indicador desde fevereiro de 2016, quando ficou em 1,42%.
 
No ano, o índice acumulou elevação de 7,02%. No acumulado de 12 meses, atinge 10,05%, quase o dobro do teto da meta do governo. A gasolina e a energia elétrica ‘contribuíram’ com 0,17 ponto percentual cada.
O preço médio da gasolina cresceu 2,85% entre agosto e setembro – no ano, a alta é de 33,37% e, nos últimos 12 meses, de 39,05%. Já o preço médio da energia elétrica teve alta de 3,61% em setembro – 20,27% no ano e 25,26% em 12 meses.
 
Praticamente tudo ficou mais caro. Dos 367 itens que compõem a cesta analisada pelo órgão, 253 subiram. Dos nove grupos pesquisados, oito registraram aumento de preços – somente o de educação teve taxa negativa.
A inflação do grupo de alimentação e bebidas acelerou de 1,02% em agosto para 1,27% em setembro. As carnes tiveram reajuste de 1,10%, mas os alimentos que registraram os maiores aumentos no mês foram a batata-inglesa (10,41%), o café moído (7,80%), o frango em pedaços (4,70%), as frutas (2,81%) e o leite longa vida (2,01%).
 
Agora, diga você, que não consegue decolar de jeito nenhum, não seria a hora de mandar o Guedes para o espaço sem V? E levando Bolsonaro junto...
 
Leia também CartaCapital e Brasil247.
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