25/12/2020 às 09h02min - Atualizada em 25/12/2020 às 09h02min

E-COMMERCE CRESCE.

TIRA EMPREGO OU TRAZ EMPREGO?

 
As duas coisas são verdadeiras. As novas tecnologias tiram empregos e trazem empregos de novo tipo. Neste ano de 2020, com a crise do coronavírus (Covid-19), essa dualidade se acentuou. Para combater o inimigo invisível, tornou-se necessário disseminar quarentena radical, no país inteiro, no mundo inteiro.
O comércio eletrônico, que já crescia fortemente no Brasil, cresceu ainda muito mais em 2020. A compra online impôs-se como senhora absoluta da situação, deu mais vigor aos faturamentos. Nos meses de pico da quarentena imposta, como abril e junho, mais de 5,7 milhões de clientes fizeram a sua primeira aquisição pela internet, segundo dados da Neotrust, empresa que parece possuir a maior cobertura de dados transacionais do mercado online brasileiro. A pandemia forçou o surgimento desse novo público consumidor e também diversificou o carrinho de compras online, incluindo produtos que antes só eram adquiridos no supermercado. Junto com os bens duráveis, como smartphones, televisores e eletrodomésticos, as compras  de rotina, como bens perecíveis, itens de limpeza e de farmácia, viraram hábitos das compras online.
 
As pequenas empresas, óbvio, correram para o online, investindo em canais próprios ou utilizando a estrutura de gigantes (como o marketplace da Magazine Luiza) e as grandes empresas anteciparam em anos a digitalização do varejo.
Aumentou o número de consumidores, mas aumentou muito o de lojas e o marketplace, com pequenas empresas na vitrine de grandes marcas”, diz Felipe Brandão, secretário-executivo da Câmara Brasileira de Economia Digital (fundada em 2001), que reúne dados do ecommerce.
Segundo a entidade, o faturamento do comércio eletrônico cresceu quase 50% no acumulado em outubro deste ano (último dado fechado pelo levantamento), na comparação com o mesmo período de 2019.
De julho a setembro, a entrada de consumidores no comércio digital, considerando a população de internautas no país, foi de 18%. No mesmo período do ano passado, havia sido de 11,3% e, em 2018, de 8,5%.
Rafael Antunes, que trabalha como UX designer (‘user experience designer’, em inglês), mudou de emprego durante a pandemia e viu o número de contratações no segmento crescer no período. Ele diz que a adoção do home office também possibilitou a contratação de mais pessoas que moram fora do Rio, onde está o escritório da empresa.
“A área de tecnologia não parou, está até mais aquecida do que antes. O que eu vejo é mais e mais contratações”, afirma.
 
Apesar da crise econômica, o setor de tecnologia seguiu contratando neste ano, impulsionado pela expansão dos meios online de comunicação e compras. A própria possibilidade de adoção da modalidade de trabalho remoto passou a refletir as desigualdades do país neste ano. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 7,9 milhões de brasileiros estavam em home office no final de setembro. No início da série, em maio, eram 8,6 milhões.
Segundo especialistas, o trabalho remoto é um benefício adicional para os mais qualificados, principalmente os que têm mais escolaridade. Pelo IBGE, cerca de 73% dos que trabalhavam remotamente em julho concluíram o ensino superior completo ou uma pós-graduação. Menos de 1% não completaram o fundamental.
 
O boom do e-commerce também favoreceu os pequenos negócios. Este é o caso de Edilma da Silva Santos, 33, moradora do bairro de Heliópolis, na zona sul da cidade de São Paulo. Assim que explodiu a pandemia no Brasil, ela se viu obrigada a fechar as portas de sua loja de roupa feminina, que fica na Estrada das Lágrimas (!!!), na mesma região em que mora.
“Era a minha única fonte de renda. Entrei em desespero. Pensei nas colaboradoras que me ajudam na loja, nas famílias delas, pensei em como eu iria pagar o aluguel do meu espaço”.
O marido e o filho mais velho também trabalhavam com ela no comércio. Depois de algumas semanas, decidiu retomar as vendas, utilizando a internet.
“Com as portas fechadas e de máscara, a gente ia para a loja. Meu marido foi quem me deu força e se disponibilizou a entregar os produtos que conseguíssemos vender. Pelo WhatsApp, Instagram, site da loja, conseguimos aos poucos retomar as vendas para aqueles clientes que já conheciam a loja”, afirma.
Com a flexibilização da quarentena, reabriu a loja física e, juntando as vendas pela internet, Edilma passou a ter um faturamento até maior do que antes da pandemia. Hoje ela diz: “É o futuro. A internet, as redes sociais”.
 
DESEMPREGO POR CATEGORIA
Na comparação do último trimestre de 2019 com o terceiro de 2020, os empregos por conta própria caíram de 24,6 milhões para 21,7 milhões. Já entre os empregos sem carteira assinada, o setor privado teve uma redução de 11,8 milhões para 9 milhões no mesmo período.
O mesmo ocorreu com os trabalhadores domésticos: a queda foi de 4,5 milhões para 3,3 milhões.
Entre os empregos com carteira de trabalho assinada no setor privado, a redução também foi grande. Do fim de 2019 até o trimestre encerrado em setembro, a redução foi de 33,6 milhões de pessoas para 29,3 milhões.
Entre os trabalhadores domésticos, o contingente caiu de 1,7 milhão para 1,3 milhão, pelos dados da PNAD Contínua do IBGE.
 
O e-commerce não tira emprego – ao contrário, garante empregos. Mas é preciso fazer mais do que isso para garantir recuperação total.
 
A partir de reportagem da Folha.

 
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