09/05/2020 às 13h28min - Atualizada em 09/05/2020 às 13h28min

PALATNIK MORREU.

SUA ARTE CONTINUA EM MOVIM...


92 anos. Pioneiro da arte cinética. Adivinha o que conseguiu parar Abraham Palatnik? Não é preciso parar para pensar em plena/plana quarentena – foi o coronavírus. Palatnik foi pioneiro da arte cinética. Juntou estética e tecnologia para criar suas danças de esculturas e de telas. Morreu neste sábado, dia 9. Estava internado em estado grave desde 1º de maio, no Rio de Janeiro, com sintomas de Covid-19.
 
Filho de judeus russos, aos quatro anos foi para a região que hoje corresponde a Israel. Em Tel Aviv, estudou física e mecânica numa escola técnica. Conciliou a especialização em motores de explosão com aulas de arte e a vivência em ateliês de pintura e de escultura. Retornou ao Brasil aos 20 anos, para morar no Rio de Janeiro. Amizade com artista Ivan Serpa e Mário Pedrosa (com quem formou, anos depois, o Grupo Frente, ao lado de Lygia Clark, Franz Weissman, Ferreira Gullar e outros).

O pintor concreto Almir Mavignier foi quem levou Palatnik para conhecer o trabalho de arte-terapia da médica Nise da Silveira, no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro. As pinturas de pacientes do local, como Emgydio de Barros e Raphael Domingues, foi "uma pancada".
Nos anos 50, abandonou as tintas e o pincel para retomar os estudos da adolescência e criar trabalhos com movimento e luz.
É dessa combinação que nasce o seu "Aparelho Cinecromático". Uma máquina apta a gerar obras de arte, nas palavras de Mário Pedrosa, a traquitana é composta de dezenas de lâmpadas coloridas que se movimentam atrás de uma tela opaca. O efeito é de um teatro de sombras abstrato, invertido.
Por insistência de Pedrosa — foi ele, aliás, que batizou o aparelho —, a obra foi inscrita na primeira Bienal de São Paulo, em 1951. Exibida no lugar dos trabalhos da representação japonesa, que não chegaram a tempo, ela recebe menção honrosa do júri internacional.
 
Ao participar da Bienal de Veneza de 1964, ele encantou até mesmo Miró — que pediu uma poltrona para contemplar os "Cinecromáticos", contou Palatnik naquela mesma entrevista de 2013. "Ele queria ficar sentado, cômodo, admirando o meu trabalho", disse o artista. "Ficou lá parado um tempão".
 
É o tempo que pára diante de sua arte em movimento.
 
Leia também na Folha.

 
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