26/07/2022 às 08h32min - Atualizada em 26/07/2022 às 08h32min

​O DESESPERO DE BOLSONARO

CADEIA OU NÃO CADEIA?


 
Bolsonaro vive seu inferno astral, austral, boreal, tudo que é inferno. O STF, por exemplo, é um infernão. Tudo porque é no poder do STF que fica o totalizador oficial das urnas eletrônicas, os cofres sagrados de nossas eleições. São elas que nos apresentam, como se fossem bolas de cristal, o presente e o futuro (se podemos chamar de ‘futuro’...) do nosso atual presidente da República, Jair Bolsonaro.
 
Tudo se traduz no editorial publicado pela Folha de São Paulo. Leia aqui, na íntegra.
 
 
Modo desespero
Bolsonaro retoma investida golpista, no que parece mais um esforço para fugir de inquéritos na Justiça.
 
Menos de uma semana depois de ter conspurcado a imagem do país diante de embaixadores estrangeiros, Jair Bolsonaro retomou o figurino golpista neste domingo (24), durante a convenção do PL que oficializou o presidente como candidato à reeleição.
Seu alvo, desta feita, não foram as urnas eletrônicas; em vez de investir contra o equipamento que tem facilitado a lisura das eleições nas últimas décadas, o presidente mirou o STF (Supremo Tribunal Federal), órgão encarregado de salvaguardar a Constituição.
"Esses poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o Poder Executivo e o Legislativo", afirmou Bolsonaro, como se ignorasse a função do STF no arranjo institucional brasileiro.
A exemplo do que se deu em anos anteriores, o presidente não procurava apenas escarnecer da mais alta corte do país. Também convocava seus fanáticos seguidores para atos no dia 7 de setembro, com os quais espera intimidar quem lhe faz oposição.
O chamado, ao qual não faltaram metáforas marciais, tem o condão de demonstrar força —e é possível que lunáticos e ingênuos o tomem pelo valor de face. Quem observar pouco além da superfície, contudo, já perceberá o quanto há de desespero nessa manobra.
Reiteradas pesquisas de opinião têm colocado Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o preferido dos eleitores, e o calendário de Bolsonaro para reverter essa vantagem torna-se menor a cada dia.
Para o presidente, não é somente a perspectiva de perder o poder que assoma no horizonte; ao lado dela crescem também os tentáculos da Justiça, de cujo alcance os Bolsonaros se habituaram a rir nos últimos anos.
Deve-se a cortesia ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Irmanando-se na omissão e na pusilanimidade, o primeiro barra os mais de 140 pedidos de impeachment, enquanto o segundo age antes como advogado do governo.
Fruto da conjuntura política e do desarranjo republicano provocado por Bolsonaro, a comodidade de não se ver devidamente investigado deve mudar em eventual derrota eleitoral. O presidente sabe que, sem o aparato de blindagem de que hoje dispõe, suas chances de prosperar na Justiça comum tendem a zero.
Felizmente, como parece demonstrar o exemplo dos EUA na investigação acerca da invasão do Capitólio, há como conter a semente da destruição plantada por populistas e devolver às instituições o vigor necessário para punir aqueles que se voltaram contra elas.

Folha.
 
Brasil247.


 
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