17/08/2021 às 09h43min - Atualizada em 17/08/2021 às 09h43min

INDEPENDÊNCIA OU SORTE

BOLSONARO QUER UM GOLPE PARA CHAMAR DE SEU...


A nota enviada pelo ministério da Defesa a seus comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, no último dia 2, deixa claro que não haverá desfile no dia da Independência em razão da pandemia. Assim como no ano passado, a única cerimônia oficial prevista para o 7 de Setembro é um evento de hasteamento de bandeira no Palácio do Alvorada.
 
Nos primeiros meses do ano, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência chegou a prever um grande evento, com público de 20 mil pessoas. Mas não foi adiante.
Até agora, as reuniões sobre o assunto entre os comandos só definiram que serão realizadas algumas atividades específicas, ainda não definidas. No ano passado, foi tudo pelos ares, literalmente: houve uma demonstração da Esquadrilha da Fumaça...
 
Na última semana, a Marinha pôs os seus blindados para desfilar sobre a Esplanada dos Ministérios, exatamente no dia em que se daria a decisão do plenário do Congresso Nacional sobre o projeto que previa a adoção do voto impresso para 2022. Pura intimidação que não deu certo – o projeto foi derrotado. Mas Bolsonaro ainda não desistiu, quer porque quer ganhar a próxima eleição no grito, já que percebeu que não terá votos suficientes. Os bolsonaristas espalharam um áudio do cantor Sérgio Reis dizendo ter estado com Bolsonaro em um almoço e combinado fazer uma manifestação de caminhoneiros que ficariam estacionados nos acessos a Brasília no dia 7, sem entrar na cidade "para não atrapalhar o 7 de setembro do presidente"...
 
Sérgio Reis também disse que no dia seguinte, 8 de setembro, ele iria ao Senado para uma audiência com o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco. "Vou eu e dois líderes dos caminhoneiros, e dois líderes do sindicato da soja. Vamos em cinco para entregar para o presidente do Senado uma intimação, não é um pedido, é uma intimação". Pode isso, Berta?
 
O documento, segundo o áudio de Sérgio Reis, daria 72 horas ao presidente do Senado para aprovar o voto impresso e retirar dos cargos todos os ministros do Supremo. Do contrário, caminhoneiros e plantadores de soja iriam parar o país. Ou seja, mais parado ainda...
 
Depois da divulgação do áudio, líderes de caminhoneiros negaram ter qualquer articulação para marchar sobre Brasília. Mas os grupos bolsonaristas insistem em convocar manifestações contra o Supremo para o dia 7. E o General Heleno, do alto não se sabe de quê (é ministro do Gabinete de Segurança Institucional -GSI), aproveitou para fazer nova ameaça de golpe: "O artigo 142 pode ser usado". E daí? Esse artigo não autoriza golpe. Ao contrário:
"As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".
Claramente, o texto diz que as Forças Armadas são destinadas a três tarefas: a) a defesa da pátria; b) a garantia dos poderes constitucionais; e c) a garantia da lei e da ordem, por iniciativa de qualquer dos poderes. Esse debate enfatiza a terceira tarefa. Será que é difícil para o general entender isso?

Bem, até agora, não há sinal de que blindados e outros equipamentos militares estejam sendo preparados para tomar parte nesse evento. Mas, no bolsonarismo, tudo é possível – menos inteligência...
 
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