10/08/2021 às 06h31min - Atualizada em 10/08/2021 às 06h31min

NÃO SE AMEAÇA GOLPE.

OU DÁ O GOLPE OU NÃO DÁ.


Os tanques na rua ou demonstraram o desespero de Bolsonaro ou simplesmente uma tentativa ridícula de influenciar na votação da Câmara sobre a questão do voto impresso. A ação foi elaborada desde a sexta-feira passada. Bolsonaro e seu ministro da Defesa, general Braga Netto, determinaram a mudança do roteiro anual do comboio da Marinha para os tanques desfilarem no centro de Brasília antes da votação que consideravam de vida ou morte: “Ou fazemos eleição ‘limpa’, ou não teremos eleição”. E desde quando se limpa alguma coisa usando tanques de guerra? Pura idiotice. Atravessar a Esplanada dos Ministérios, contornar o Congresso, passar em frente ao Supremo e ir até o Planalto para entregar ao presidente Bolsonaro e ao ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, o convite do maior exercício militar da Marinha, a Operação Formosa, no dia 16, pode ser considerado como algo puramente infantil ou idiotice completa. O pior é que esses tanques viajaram para Brasília, saindo em caminhões, desde o Rio de Janeiro!!! Ridículo.
 
A conclusão óbvia de políticos e militares foi a de que, em vez de bolsonaristas de capuzes e tochas nas mãos, jogando fogos de artifício sobre o STF, como aconteceu em junho de 2020, dessa vez o Brasil pôde assistir os tanques intimidando o guardião da Constituição. O próprio Arthur Lira tomou satisfação de Bolsonaro.
 
A Operação Formosa é o maior treinamento da Marinha e ocorre todos os anos, no município com esse nome, em Goiás, desde 1988. Nunca antes, Exército e Aeronáutica participaram, muito menos os tanques de guerra, que saem do Rio rumo a Goiás, desfilaram pelo centro político da capital da República. Por que só agora, nessa tensão institucional?
Fez lembrar o 23 de abril de 1984, dois dias antes da votação das “Diretas-Já” no Congresso, quando o comandante militar do Planalto, o famoso general Newton Cruz, realizou aquele espetáculo grotesco: montado num cavalo branco, à frente de tanques e soldados, saiu pela Esplanada dos Ministérios chicoteando carros de quem pedia o fim da ditadura militar. Papel ridículo. Só fez desmoralizar de vez o governo Figueiredo.
 
Hoje, os oficiais das três Forças, principalmente almirantes, estão morrendo de vergonha. A intenção, como naquele 23 de abril de 1984, de demonstrar força e amedrontar o Judiciário, o Legislativo e a sociedade civil, mostrou-se apenas um novo ridículo histórico, com um presidente tão absurdo quanto Figueiredo. O pior – e inaceitável – foi a submissão das Forças Armadas às irresponsabilidades de Bolsonaro, causadas pelo desespero diante da derrota eleitoral que se aproxima a galope.
 
Leia também no Estadão e no Brasil247.
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