27/07/2020 às 16h53min - Atualizada em 27/07/2020 às 16h53min

FUNCIONÁRIOS DO BB COBRAM EXPLICAÇÕES SOBRE POLÊMICA OPERAÇÃO DE R$ 2,9 BILHÕES

PRESIDENTE DO BANCO RENUNCIOU NA SEXTA


Os investidores reagem com cautela e o valor da ação do Banco do Brasil não teve grande queda - ficou estável no final da manhã desta segunda-feira, 27, primeiro dia útil após a renúncia, de surpresa, do presidente Rubem Novaes. Na sexta-feira à noite, Novaes entregou a carta de renúncia ao presidente Bolsonaro e ao ministro da Economia, Paulo Guedes. 
Aliado ferrenho de Guedes na privatização do Banco do Brasil e criticado pelos defensores da primeira instituição bancária do país, que foi criado por Dom João VI em 1808, ele deixa o banco em meio à denúncia de uma operação milionária com o BTG Pactual. 
A cessão de uma carteira de crédito de R$ 2,9 bilhões do BB para um fundo administrado pelo BTG Pactual agita o mercado político e econômico desde a semana passada. A operação causaria um impacto financeiro de R$ 371 milhões ao BB.

A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil reafirma que o ministro Paulo Guedes e a diretoria do banco devem esclarecimentos sobre a natureza da operação. No dia 2 de julho, antes mesmo da notícia vazar para a imprensa e redes sociais, a ANABB já havia questionado o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do Banco do Brasil, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo.

No Congresso, deputados também pedem esclarecimentos sobre essa inédita transação. Funcionários consideram suspeita a operação já que Paulo Guedes foi um dos fundadores do banco, que só pensa em vender essa “porcaria” do Banco do Brasil”, como disse o funcionário aposentado do BB, Paulo Roberto Tourinho, em carta ao jornal “O Globo”, no dia 16 de julho. O líder do PT na Câmara, deputado federal Enio Verri (PT/PR) também protocolou pedido de esclarecimento ao ministro Paulo Guedes para atestar “a regularidade de sua ocorrência, a observância de requisitos de boa governança e, principalmente, o atendimento ao interesse coletivo, princípio basilar a conduzir operações realizadas por sociedades de economia mista”, diz Verri. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) também quer ouvir Paulo Guedes e o ex-presidente do BB.

Na carta de renúncia, Rubem Novaes não explicou os motivos da saída e só alegou que está “entendendo que a companhia precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário”. O pedido já foi aceito pelo presidente Bolsonaro e por Paulo Guedes, que passou a dizer que desde maio o ex-presidente já havia manifestado a intenção de deixar o BB. 
É bom lembrar que na famosa reunião ministerial do dia 22 de abril, que teve o vídeo liberado pelo ministro do STF, Celso de Mello, Rubem Novaes tentou várias vezes defender a privatização do Banco do Brasil, que seria o “sonho” dele, segundo Paulo Guedes. Segundo a transcrição da Polícia Federal, Bolsonaro impede e fala. “Faz assim: só em vinte e três cê (sic) confessa, agora não”, que seria um ano depois da eleição de 2022. 
Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia reafirmado um dos maiores objetivos desse governo que só pensa em destruir e entregar o patrimônio do povo brasileiro, a privatização do BB . “É um caso pronto e a gente não tá dando esse passo. O senhor já notou que o BNDES e a Caixa, que são nossos, públicos, a gente faz o que quer? (No) Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada, e tem um liberal lá. Então, tem que vender essa porra logo”, disparou Guedes.

Como os liberais se atraem, sempre tem lugar para mais um. Difícil vai ser convencer os milhões de pequenos acionistas e os grupos que lutam pela defesa do nosso patrimônio. 

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