26/05/2020 às 08h30min - Atualizada em 26/05/2020 às 08h30min

​POLÍCIA FEDERAL CONTRA GOVERNADOR WITZEL

MOTIVAÇÃO POLÍTICA?


O nome é ‘Operação Placebo’. Por que esse nome? Não se sabe se é placebo em referência a “preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição de um medicamento” ou se é pela etimologia de “agradar”. Seja qual for o significado, essa operação com certeza não está agradando o governador Witzel, mas está sendo de muito agrado a Bolsonaro.

Estão sendo realizados, ao todo, 12 mandados de busca no Rio e em São Paulo, mas não há pedido de prisão contra o governador. Aliás, o escritório onde trabalha Helena Witzel - que é a primeira-dama e é advogada - também está sendo alvo das buscas.

Os mandados foram expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a partir do inquérito que investiga as compras emergenciais do governo na pandemia. A revista Veja faz referência a “um esquema de propina envolvendo liberação de pagamentos atrasados a fornecedores do governo do Rio mediante pagamento de comissões que chegam a 30%”. E há referência ao Pastor Everaldo e André Moura, que seriam nomes famosos ligados a Witzel.
“Em menos de um ano, o esquema teria arrecadado cerca de 30 milhões de reais com a cobrança de 20% a 30% do valor de cada fatura paga”, conclui a reportagem.
O delator teria sido Arthur Soares, conhecido como o ‘Rei Arthur’, que teria prometido entregar carregamentos de provas contra o governador do Rio.

Segundo o Brasil247, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, depois de ter sido uma das principais interlocutoras de Sérgio Moro por anos, parece ter obtido informação privilegiada sobre a ação da Polícia Federal contra Witzel. Nessa segunda, 25, ela afirmou em entrevista que a PF estaria na iminência de deflagrar operações para investigar irregularidades cometidas por governadores durante a pandemia.

Para o vice-líder do PCdoB na Câmara, Márcio Jerry (MA), a fala da deputada é mais uma prova da tentativa de interferência do governo na PF, segundo informa o jornalista Erik Mota, do Congresso em Foco. “Notem a gravidade: a deputada Carla Zambelli anuncia operações da Polícia Federal contra governadores. Dá até o nome da operação! Um absurdo o governo de Jair Bolsonaro insistir na tentativa de transformar uma instituição do estado brasileiro em polícia política para perseguir adversários”, afirmou Jerry.

Ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, Zambelli disse: “A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha, para sair, mas não saíam. E a gente deve ter, nos próximos meses, o que a gente vai chamar, talvez, de ‘Covidão’ ou de... não sei qual vai ser o nome que eles vão dar... mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”.

O Brasil247 lembra que Witzel tem sido um dos principais alvos dos ataques de Jair Bolsonaro, pois o governador do Rio é potencial candidato a presidente da República em 2022.

Talvez seja o caso de a Polícia Federal investigar como a deputada federal Carla Zambelli obteve informações privilegiadas sobre... a Polícia Federal!!!


Leia também no Brasil247 e na Veja.

 
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