12/05/2020 às 20h19min - Atualizada em 12/05/2020 às 20h19min

​TENSÃO EM BRASÍLIA COM O VÍDEO DA REUNIÃO MINISTERIAL

WEINTRAUB E DAMARES TERIAM PEDIDO A PRISÃO DOS MINISTROS DO STF, GOVERNADORES E PREFEITOS.


A temperatura da crise política disparou em Brasília, nessa terça-feira, depois que o vídeo da reunião ministerial, do dia 22 de abril, foi apresentado na Polícia Federal. Na plateia, os investigadores, o ex-ministro Sergio Moro e seus advogados, e representantes da Advocacia-Geral da União que vai defender o presidente Bolsonaro. O vídeo foi citado por Moro, no depoimento à Polícia Federal, em Curitiba, como prova que Bolsonaro teria tentado interferir na Superintendência da PF no Rio de Janeiro, para defender os filhos e aliados. Uma decisão do ministro do STF, Celso de Mello, responsável pelo processo, obrigou o governo a entregar o vídeo, na íntegra. 
Informações conseguidas pelos repórteres reafirmam que a gravação é “devastadora” para o governo, principalmente pelos ataques do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao STF, e da ministra da Mulher,  Família e Direitos Humanos, Damares Alves, contra os governadores e prefeitos. Weintraub, pivô de outra crise por abrir as inscrições do Enem em plena pandemia, mesmo com a recomendação contrária do TCU, dos reitores das universidades federais e estudantes, teria defendido até a prisão dos ministros do STF. Segundo as fontes dos jornalistas, o ministro da Educação afirmou que “tem de mandar todo mundo para a cadeia, começando pelo STF”. A ministra Damares teria defendido a prisão dos governadores e prefeitos, que tomaram decisões contrárias ao presidente Bolsonaro, no combate ao coronavírus. Os gestores estão respaldados por decisão do STF ao decretar o isolamento social nos estados e municípios. 
O governador do Maranhão, Flávio do Dino, um dos alvos frequentes de Bolsonaro já reagiu pelo Twitter. 
“Cenas absurdas em reunião de governo: presidente intervindo na Polícia Federal em favor dos seus filhos. E ministros de Estado querendo prender ministros do Supremo, governadores e prefeitos. Se dizem isso quando quando estão sendo filmados, o que são capazes de fazer em segredo?”, questionou o governador maranhense, ex-juiz federal. 
Quem assistiu o vídeo diz, ainda, que um Bolsonaro mais irritado do que costuma ser, teria chamado o governador de São Paulo, João Doria, de “bosta” e o governo do Rio de Janeiro, de Wilson Witzel, de “estrume”. 
No meio da tarde, do alto da rampa do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro surpreendeu os repórteres de plantão e começou a falar e responder perguntas sobre o vídeo. Bolsonaro disse que “ não existe no vídeo PF, nem Superintendência”, ao comentar sobre a denúncia de Moro que ele teria tentado interferir na Polícia Federal. Bolsonaro deu uma nova explicação por insitir na troca da Superintendência da PF do Rio de Janeiro. Ele disse que era para dar mais segurança à família depois que  Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral, tentou matar o filho dele. O presidente  disse até que o vídeo do ataque mostra. O filho que estava com Bolsonaro era o vereador do Republicanos do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, o “02”. 
A defesa  do ex- ministro da Justiça, Sergio Moro, divulgou uma nota afirmando que o vídeo confirma “integralmente” as declarações que ele fez durante o depoimento na PF. Segundo os advogados, Sergio Moro é favorável que a gravação seja divulgada na íntegra.
Quem vai decidir se o povo brasileiro vai ter acesso à gravação da tão falada e temida reunião, é ministro do STF, Celso de Mello, que decretou o sigilo da prova. 
Na noite dessa terça-feira, o deputado federal do PSOL-RJ, Marcelo Freixo, entrou com um pedido junto ao STF para que o Congresso tenha acesso ao vídeo da reunião. 
Durante todo o dia três generais, ministros de Bolsonaro, prestaram depoimento à PF, em Brasilía. Depois de três horas de depoimento, saiu o ministro Braga Neto. Já passava das 20h e os ministros Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos ainda estavam depondo no inquérito que apura as denúncias feitas pelo ex-juiz Sergio Moro contra o ex-chefe, presidente Bolsonaro, no dia que deixou o governo.
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